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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O TRABALHO ESCRAVO E SUAS VÁRIAS FACETAS





Segundo a definição usualmente encontrada, o trabalho escravo se configura pelo trabalho degradante aliado ao cerceamento da liberdade. Naturalmente não vivemos o período que precedeu a lei Áurea de 13 de Maio de 1888, onde uma pessoa poderia ter o direito de propriedade sobre outra. Entretanto, se observarmos com um pouco mais de carinho, sem o medo de perdermos todo o conforto que a vida moderna nos proporciona, poderemos ver que ainda vivemos em uma sociedade onde o trabalho escravo é a maior mão de obra.

Vivemos em um período em que as palavras chaves são: globalização; inovação; preocupação com o meio ambiente e a tal da busca da qualidade de vida. O que poucas pessoas percebem é que tais palavras são conceitos antagônicos que se repelem. Mas que são usadas em uma equação cujo resultado é o mascaramento de uma realidade muito simples e cruel, o trabalho degradante aliado a liberdade cerceada.

Comprovamos isso quando acompanhamos histórias de pessoas que vêm do interior para a capital, ou quando outra vai de Belém para o Centro-Sul do país, ou ainda quando alguém sai do Brasil para arriscar a sorte em outro país.

No período da primeira Revolução Industrial vimos o surgimento do panoptismo abordado por Foucaut, onde já não era a força ou as correntes o meio pelo qual poucos indivíduos dominavam muitos.

Ainda hoje, em pleno século XXI, vemos nas varias atividades da agropecuária, no mercado da prostituição entre outras tantas atividades ilegais, situações que refletem a mesma realidade, ou seja, pessoas presas sob ameaças físicas, terror psicológico ou longas distâncias de sua cidade natal ou qualquer outra cidade.

A tentativa da junção das tais palavras da moda cria uma deformação de valores perfeitamente aceitável no mundo capitalista, onde a exploração de massas de miseráveis é chamada de inclusão social, por está levando emprego aonde não havia, oferecendo assim um futuro melhor a essas pessoas que outrora estavam fora do mercado consumidor.

Dentro dessa deformidade ocasionada por essa equação, percebemos que países que possui moeda forte, mercado forte e tecnologia de ponta vêm em países como a China, Índia e até mesmo o Brasil pontos de apoio à escravidão “politicamente correta”, onde conseguem matéria prima e mão de obra a preço irrisório.

Portanto, se trocarmos alguns elementos dentro da equação, teremos uma equação equivalente, onde o resultado terá várias raízes.Ex: 1 sobre 2; 1 sobre 6; 1 sobre 15. Dependendo da relação, moeda local e dólar ou euro. A degradação está no fato de que o indivíduo recebe metade, um terço, um quinze avos, (...), do que merece. O cerceamento da liberdade está no fato de que esse indivíduo não tem como escapar dessa situação, pois sua vida está atrelada a seus patrões por meio de contratos de trabalho, individual ou coletivo de conteúdo duvidoso.

Dessa forma concluímos que o trabalho escravo realmente tem várias facetas, e algumas dessas nos chocam enquanto que outras nos parecem ser tão normais quanto comprar um celular que sabemos que vale R$ 500, por R$ 99,90.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011


O jornal Diário do Pará traz em sua edição do dia 06/11/2010, a manchete: Chegou a hora de encarar o ENEM. E como tema da reportagem: " ENEM testa 164 mil no Pará hoje e amanhã". Por certo cada um que conseguiu se inscrever (pagar) para submeter-se ao exame, deve ter se preparado intelectual, psicológica e fisicamente, devido à relevada importância que o exame vem assumindo gradativamente desde quando fora criado em 1998. E nos fora apresentado como sendo um ingênuo teste de carater auto-avaliativo e opcional, aos alunos concluintes do ensino médio.
Evidentemente não será o primeiro tampouco o ultimo teste que esses candidatos ao ensino superior enfrentarão. Todavia, será que em algum momento em suas vidas pararam para se perguntar o porquê dessa corrida frenética? Se isso atende a algum propósito e interesse? É provável que nunca tenham tido tempo para isso.
No texto A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS (cap.5), Michek Foucaut ( filósofo francês, 1926-1984), identifica como sendo a primeira função das instituições de de sequestro, estatais ou não ( escolas, hospitais, prisões ...), A EXTRAÇÃO DA TOTALIDADE TO TEMPO, isso é, o indivíduo doa todo seu tempo de existência ao trabalho. E como segundo, FAZER COM QUE O CORPO DOS HOMENS SE TORNE FORÇA DE TRABALHO. O trabalho passa a ser o meio pelo qual o indivíduo alcança uma recompensa dentro de um mecanismo que Foucaut classifica como sendo do consumo e da publicidade ( nos países desenvolvidos).
Quando uma criança aprende a falar, ler e escrever, ela já começa a formar seu currículo, isso é, ela já está sendo capturado pelo que Foucault chama de tecnologia política dos corpos. O indivíduo torna-se um objeto sob total controle e observação contínua. A disciplina imposta a ele, torna-o apto e domesticado, forte e manso, um perfeito cidadão que acredita piamente em máximas como: cabeça vazia... Oficina do diabo; o trabalho dignifica o homem; garanta seu futuro estudando no...; teste seu conhecimento, inscreva-se na... E tantas outras que ao que parece tentam criar estereótipos quase literários, digo, personagens planos de suas próprias vidas.
Depois de ter o tempo e força transformados em trabalho (primeira e segunda funções), as instituições de sequestros ainda submetem o indivíduo a uma terceira , ou seja, AO PODER ECONÔMICO E POLÍTICO E UM MICRO-PODER JUDICIÁRIO. É nesse contexto que devemos fixar nossa atenção. Segundo o filósofo francês, " o sistema escolar é também inteiramente baseado em uma espécie de poder judiciário. A todo momento se pune e se recompensa, se avalia, se classifica, se diz quem é o melhor, quem é o pior". Ora! O ENEM além de representar, ainda serve de ferramenta de adequação a todos os propósitos e interesses surgidos nos primórdios do capitalismo, e que nos são repassados até hoje com um belo rótulo de modernidade. Tais interesses e propósitos moldados por conflitos de poderes, parecem ter adquirido vida própria. Ironicamente dentro desse prisma a criatura passara a dominar o criador, isto é, a humanidade. Ela desenvolve-se, multiplica-se, aperfeiçoa-se em todas as esferas existenciais do ser humano, como uma tecnologia do saber, do poder, do pensamento etc. Algo brilhantemente representado no filme MATRIX( co-produção australiana e norte-americana de 1999. Dirigida por Andy Wachowski e Larry Wachowski ).
Submeter-se, e passar em exames como o do pezinho, tem a mesma importância psicológica no âmbito familiar que tem ser aprovado no vestibular ou alcançar uma boa pontuação no ENEM, pois indica normalidade. E normalidade é especialmente circundada pela disciplina. Observe a relação de coisas que podem e que não podem ser portadas no momento da aplicação do ENEM. Esse meio de avaliação que pune e recompensa também segue o modelo panóptico que geralmente é adotado pelas instituições de sequestro, que segundo Michek Foucaut consiste em querer fazer com que o maior número de pessoas seja oferecida como espetáculo a um só indivíduo encarregado de vigiá-los. Todavia não quero reter-me em questões estruturais adotados por aquelas instituições, e sim nos meios de controle aplicados por elas.
O indivíduo vê seu tempo tomado, sua força tomada, vê sua vida controlada pelos poderes do Estado e pelos micro- poderes. Então por que o controle ainda é possível? Por que o indivíduo submete-se a tal situação?
Ora! mesmo se o indivíduo fosse tomado pela luz de consciência sobre sua situação ele somente descobriria que desde que nascera fora doutrinado a pensar que o seu trabalho (que é o resultado da supressão de sua vida) é o fiel da balança na sua relação com o poder econômico e o poder político que estão intrissicamente ligados à sua realidade social. Então para esse indivíduo envolvido até a alma, capturado pelos olhos, ouvidos, boca, narinas, pele, pensamentos e sonhos, desligar-se dessa realidade seria (suponho) algo como recuperar alguém que fora viciado em uma droga fortíssima por toda sua vida. Evidentemente não trata-se de um feito impossível, todavia seria necessário fazer com que esse indivíduo fizesse a pergunta: " por que essa corrida frenética? Se isso atende a algum propósito ou interesse, aquém ou a que serve tal propósito e interesse?", e ainda, fazer com que ale não chegasse a conclusão de que pensar sobre isso não passa de perda de tempo, e tempo é "dinheiro!".
Contudo, o período que sucede a preparação e precede o descarte é demasiadamente efêmero, isto é, não há de fato uma moeda de troca, o que há é uma via de mão única, e para tentar equilibrar essa situação, tendo em vista que estamos todos diretamente conectados a essa realidade; seria necessário mudar as diretrizes educacionais já nas bases do ensino primário, implantando pensamentos questionadores e reflexivos, para que possivelmente em uma ou duas gerações, se ainda existisse o ENEM, o candidato ao menos saberia o porquê está sendo obrigado a submeter-se a tal exame, e talvez pensasse, completamente ausente de culpa, que poderia não fazê-lo se assim desejasse.

domingo, 24 de outubro de 2010

CONTINUAÇÃO SOLIDÃO



Minha amiga é ela.

Quieta e calada,

Segue-me acompanhando

Quando estou acompanhado

Da ausência da figura mais bela!

Estou só!

Abandonado por todas WWW.com.vocês.

Sem cálidos beijos de mentiras,

Sem e-mail de tê-la outra vez.

Com ranhuras na razão abalada,

Parado como antes.

Sendo lápis e papel as amantes

Sem perfumes, sem toque, sem nada!

Sem beijo, como alguém amado,

Por doces lábios de alguém apaixonada.

Terei eu tão enfadada sorte?!...

De triste fim. Partir dessa vida,

Sem ter alguém como minha querida.

Que por mim lamente,

Quando eu finalmente beijar a morte?

MARGARIDA





Adoro teu sorriso.

Mesmo que falso ele seja;

Pois sai de tua boca,

Que em sonhos, a minha almeja.

Que de mel doces lábios margarida,

Desejando que lambuzada neles,

A minha esteja!

Adoro teus olhos.

Mesmo que neles os meus nada sejam;

Avista que a alma minha encara a tua,

Chorando o desprezo de tua casca crua

Engolindo os prantos

Para que os olhos teus não os vejam!

Adoro você!

Que habita esse belo corpo moreno.

Que fala como orgasmo,

Quando quer me enganar.

Deixando-me imóvel como presa no cerco.

Deixando-me indefeso como pena no ar.

Deixando-me oco, como tuas veias sem vida;

Ainda sim, quase consigo escapar.

funeral blues


FUNERAL BLUES (W.H.AUDEN)

Congelem o tempo e cada longínquo som de dor.

Satisfaçam o cão, silenciando seu ladrar.

Larguem os pianos, e com emudecido tambor.

Faça-se o funeral, deixe o cortejo chorar.

Deixem os aviões fremindo num só lamento.

Rabiscando o dizer “ELE MORREU!”; no firmamento.

Vistam luto os alados símbolos da paz.

Vistam luto as mãos da lei, por um ser fugaz.

Ele fora o paradoxo em minha luta, meus pontos cardeais.

Em parte me era labuta; e meu descanso em tudo mais.

Minha inspiração e sonho, meu declamar cantado.

Idealizei um amor eterno e idôneo, agora sei, estava errado.

Abandonem as estrelas, pois perderam o lume.

Recolham a lua, o sol... Anulem.

Sequem o oceano e extingam a floresta.

Pois não há alívio humano, no futuro que me resta.

(tradução-versão: ANTONIO DIAS)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

trabalho da UFPa.

A obra “ABC da literatura” (ABC of reading) de Ezra Pound visa trazer à luz, para o deleite daquelas que verdadeiramente procuram saber como se dever estudar poesia, sua visão crítica de como fazê-lo através do método circundado em “How to read” (como ler).
Segundo o autor a tendência a abstração de valores, e de sentidos, isto é, conceitos metafísicos gradativamente mais genéricos que teria tido início na Idade Média, na ausência de uma ciência material, conduz o entendimento a um campo inalcançável ao interlocutor. Esse método é classificado como inadequado pelo autor.
Nesta obra o autor prima por uma abordagem científica, prática e objetiva do objeto a ser estudado, Isto é, despir a poesia de tudo que não for essência pura, isso implica em abandonar qualquer coisa que possa desviar a atenção impedindo que haja um julgamento correto e preciso. Pound ilustra seu ponto de vista citando “A história de Agassiz e do peixe” (a qual batiza como o nascer da ciência moderna) e “O ensaio sobre os caracteres gráficos Chineses” de Ereste Fenollosa.
Para exemplificar o quanto a prática é insubstituível no processo de produzir conhecimento o autor vale-se da comparação entre o assistir a dois concertos e a leitura de uma crítica musical, como se instigando o leitor a se perguntar, qual a melhor forma de se obter um conhecimento realmente consistente, e sobre tudo, não somente reverberado. Seguindo a linha do pensamento científico, o autor ainda cita como exemplo hipotético a emissão de um cheque, cujo valor fosse muito alto e a emissão de conhecimento; de quem você aceitaria, de um desconhecido ou de alguém respaldado? Já visando à apresentação de sua lista de leitura que considera como indispensável para se saber o valor de um novo livro.
Obviamente trata-se de um olhar positivista sobre a produção poética. Todavia, penso que a poesia não pode ser tratada como objeto de estudo científico, dissecada, cortada e posta em lâminas como em estudos de Botânica.
Mesmo sabendo que o método científico é atualmente o meio respaldado de produção de verdade, e já o é a bastante tempo, penso que tal abordagem poderia se dar perfeitamente na prosa , cito: “não se pode falar da origem de um fenômeno, seja ele qual for, antes de descrevê-lo (...)”;”porque falar de gênese sem dar uma atenção especial ao problema da descrição (...) é completamente inútil “;”Da exatidão da classificação depende a exatidão do estudo posterior”. (Vladimir I. Propp. Morfologia do Conto Maravilhoso- pg.9), contudo, o mesmo não se aplica á poesia.
Segundo Octavio Paz (poeta, ensaísta, tradutor e diplomata mexicano) em O Arco e a Lira: “o ritmo se dá espontaneamente em toda forma verbal, mas só no poema se manifesta plenamente (...);” pela violência da razão, as palavras se desprendem do ritmo; essa violência racional sustenta a prosa”; ”Deixar o pensamento em liberdade, divagar, é regressar ao ritmo; as razões se transformam em correspondências; os silogismos em analogias e a marcha intelectual em fluir de imagem.”; “A poesia ignora o progresso ou a evolução a suas origens e seu fim se confundem com as da linguagem. A prosa que é principalmente um instrumento de crítica e análise, exige uma lenta maturação e só se produz após uma longa séries de esforços tendentes a dominar a fala”.
Baseado nesses pensamentos eu digo que a poesia, de forma alguma pode ser esquadrinhada por meios científicos, pois ela é um universo composto por infinitos elementos alheios a essa ótica.
Encerro citando mais uma vez Octavio Paz: “O poema (...) apresenta-se como um universo auto-suficiente e no qual o fim é também um princípio que volta, se repete e se recria.”.

MARCO ANTONIO DIAS DA SILVA



ABC da Literatura: Como estudar Poesia.


Universidade Federal do Pará
Belém-Pará
2010

MARCO ANTONIO DIAS DA SILVA


ABC da Literatura: Como estudar Poesia.


Resumo crítico á disciplina Teoria do
Texto Poético, sob a orientação da
profª. ,(...), como requisito
para a obtenção da 1ª avaliação da
referida disciplina do curso de Letras
Hab. Língua Inglesa de Universidade
Federal do Pará.


UFPA
Belém-2010
POUND, Ezra. ABC da Literatura; organização e apresentação da edição brasileira Augusto de Campos; tradução de Augusto de Campos e José Paulo Paes. – 11ª. Ed.- São Paulo. Cultrix,2006.

Referências

POUND, Ezra. ABC da Literatura; organização e apresentação da edição brasileira Augusto de Campos; tradução de Augusto de Campos e José Paulo Paes. – 11ª. Ed.- São Paulo. Cultrix,2006.
PAZ, Octavio. Verso e prosa in O arco e a lira. Rio de Janeiro: 2a ed. Nova Fronteira, 1982.
PROPP, Vladimir. Morfologia do conto maravilhoso. (...). 1928.

A grama do vizinho é sempre mais verde


Será que finalmente as raízes negras, que por tanto tempo ficaram asfixiadas sob uma cultura de intolerância, geraram “o fruto” que simbolizará suas reais importâncias na História?
Sabemos que durante o imperialismo das Grandes Navegações, os negros, agora escravos, tornaram-se a pilastra mor da economia mercantilista. Em países como o Brasil, tais raízes adubaram grandes lavouras de café, com sangue, suor e lágrimas, concebendo grandes lucros a seus “proprietários”.
A passagem do mercantilismo para o capitalismo, que exerceu papel fundamental na mudança de relação, (senhor e escravo para patrão empregado), a qual deveria inserir o negro no mercado consumidor, acabou por marginalizá-lo ainda mais. Todavia, diferentemente do que ocorrera no Brasil, onde os escravos receberam apenas um grande “pé na bunda”, nos Estados Unidos, a política adotada fora a do “pegue um burro e um lote de terra”.
Como meros observadores da História, nos não saberíamos dizer, qual tipo de segregação é mais cruel, entretanto podemos afirmar que a exercida em nosso país é a mais covarde, pois nos dias de hoje os negros ainda dependem de cotas para terem acesso ao ensino superior. Enquanto aqui existe apenas uma Universidade direcionada à cultura negra (Zumbi dos Palmares, BA) com pouco mais de três anos, lá existem mais de uma dezena de centenárias instituições superiores voltadas somente para afro-descendentes.
A recusa de uma cidadã americana negra a ceder seu lugar a um branco, no interior de um coletivo, a levou à prisão, dando início a um grande movimento visando sua libertação. Este fato levou um jovem (Martin Luterking) a sonhar um mundo onde seus netos seriam tratados como iguais. Morreu sem vê-lo. Porém, o atual presidente eleito do U.S.A (Barack Obama), um respeitado intelectual; traduz com humilhante certeza que a terra do vizinho fora melhor adubada.
Então podemos concluir que sim! As raízes negras despiram-se do rótulo “under ground” para florescer no topo do mundo.