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quarta-feira, 20 de abril de 2011



Antônio de Nazareth Frazão Tavernard (October 10 , 1908)-(May 2, 1936) .

Antônio Tavernard was born in October 10, 1908, at Siqueira Mendes street, 585, in Vila de São João do pinheiro, nowadays known as Icoaraci. His father, othílio Tavernard worked at Santa Casa de Misericordia, and at “A Província do Pará” as redactor, his mother, Marieta Frazão Tavernerd, was a housekeeper. His family moved to the capita city, Belém, settling down at “Coselheiro Furtado” avenue with “Generalíssimo Deodoro” in a place named for them as “Retiro São Benedito”.

Antônio Tavernard got his primary school at “Externato Santa Mônica”; later he got into the “Ginásio Paraense” (Paes de Carvalho) where the poet studied the humanity course. When he was nineteen he got second position in a national short story concourse supported by a magazine named “primeira”.

In 1925 Tavernaed finished the high school, and got into the “Facudade de Direito do Pará” (the Pará Law faculty), where he got “hanseníase” (leprosy), the sickness that leaded him to the death on Mai 2, 1936.

Antonio Tavernard was compositor, dramaturge, journalist and poet.

SELECTED LIST OF WORK

Poetry:

  • Fêmea
  • Os Sacrificados
  • Misticos e Barbaros (1953, pothumous)

Theater:

  • A Casa da Viúva Costa
  • A Menina dos 20 mil
  • Seringuadela

Musical production:

  • Foi Boto Sinhá
  • Romance
  • Matinta-pereira
  • Hino do clube do Remo

Antônio Tavernard born in a period of time that Belém, the capital of Pará, usually be involved in a mystical atmosphere because of the “Círio de Nararé”, the biggest ecumenical-religious festival of the world that is considered the “paraense” Christmas. Because of this, the tony’s father (tony is short for Antonio) decided to name his little boy, Antonio de Nazareth Frazão Tavernard, maybe foreseeing the short and painful life of his son.

At that time Belém was a quiet and bohemia city, a place where the neighbors talked with each other, the friends always meet each other to declaim poems. The families always opened the door for friends, and every October days the backyard was the place to celebrate the “Círio”, “São João”, “Carnaval” or anything else.

When Antonio Tavernard was eighteen he fell sick. After a little while the doctors discovered that he had got leprosy and there was no cure for this kind of sickness at that time. So there was all over, his youth, health and his brilliant future. He had to abandon the faculty and to isolate himself at a chalet named “Rancho Fundo” (deep cabin). The house and the chalet were linked by a string that had a bell in its end, and unfortunately the bell rang for the last time in May 2, 1936. But the consciousness of his new sad situation let Antonio Tavernard to work as if each day was the last one, and before the end of his life his literary work was incredibly beautiful.

Antônio Tavernard started publishing when he studied at “Ginásio Paes de Carvalho”, he published for GPC news paper that was a school press well known among the students in that days. He was one of redactors of the “A Semana”, a very important magazine at 1930’s, in Belém.

Antonio Tavernard converted his own prison in a particular world where he worked his contrastive feelings; he was always helped by his mother who took news paper, magazine and paper to him. But he was not abandoned by his true friends, and he got more of them who rounded his bed, playing, singing and declaiming with him during the time that preceded his advanced healthless estate.

Many people come to see face to face that so brilliant spirit, that even though be confined in a little room, was a cooperator for almost all national press.

Once, Paschoal Carlos Magno, the intellectual who was visiting the capital, decided to know Antônio Tavernard and it would have been a saying by the visitor: it is a pleaser to know the new “Machado de Assis”, it would have been answered by Tavernard: less talent and more pain.

Antônio Tavernad and Waldemar Henrique had never been together at the same place, but through a friend (Fernando Castro, his partner in “A Menina dos 20 mil”), they worked together at “Foi Boto sinhá” and “Matinta-pereira”.

SIMILITUDES
(Antônio Tavernard)

Nasci em frente ao mar.
Meu primeiro vagido
misturou-se ao fragor do seu bramido

Tenho a vida do mar!
Tenho a alma do mar!

A mesma inquietude indefinível,
que nele é onda, e é em mim anseio,
faz-nos tremer, faz-nos fremir, faz-nos vibrar.
Às vezes, creio
que da minha loucura do impossível
sofre também o mar.
Tenho a sua amplidão iluminada
- o meu amor; e seu velário de brumas
- minha mágoa.
Ruge a tormenta... E o que ele faz com a frágua:
embates colossais,
faço com a minha fé petrificada...
té que tudo se extingue em turbilhões de espumas
e de lágrimas... Destinos abismais!...

Guarda em si tempestades que estraçoam,
Cóleras formidáveis em mim guardo...
Sobre o meu pensamento, idéias voam,
voam alciões sobre o seu dorso pardo...

Meu gigantesco irmão,
Senhor do cataclismo,
se tens, por coração, um negro abismo,
eu tenho, por abismo, um coração.
Dentro de ti, quantos naufrágios, quantos,
de naves rotas pelos vendavais?!...
E, dentro de mim, sob aguaçais de prantos,
quantos naufrágios, quantos, quantos,
de sonhos, de ilusões e de ideais?!...

Faço trovas a alguém que não posso beijar
tal como tu, na angústia de querê-las
sem as poder tocar,
fazes, nas noites brancas de luar,
serenatas inúteis às estrelas...

Sou bem fraco, porém, e tu és forte...
Nada te vencerá, há de vencer-me a morte...
Embora!... Mar morto, água dormida
que por mais nada nem de leve ondeia,
hei de deixar meus versos pela vida,
como tu deixas âmbar pela areia!...

References

Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Tavernard"

Categorias: Literatura brasileira de expressão amazônica | Poetas do Pará | Dramaturgos do Brasil | Naturais de Belém

• Enzo Carlo Barrocco

Extraído de "Tavernard, Pássaro Doente" do seu "Recanto das Letras"

• Benilton Cruz

Extraído de seu "Mente, Poeta (Consideraçoes sobre o poeta Antonio Tavenard)"

• Wikipédia
Extraído da Eniclopédia livre de Antonio Tavenard
• Carlos Correia Santos
Extraído do seu "Comentario sobre a obra de Antonio Tavernard", no portal Janela Cultural

www.paramais.com.br e no link direto da revista, edição 108: http://pt.calameo.com/read/000346966dc62ccc8189e (páginas 36, 37 e 38).


Por Carlos Correia Santos*

*CARLOS CORREIA SANTOS é pesquisador e escritor premiado nacionalmente, autor, dentre outras obras, das peças "Nu Nery", "Ópera Profano" e do romance "Velas na Tapera".

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O VOTO OBRIGATÓRIO


No dias de ontem (22/02/2011) fora veiculado nos telejornais locais, imagens de um prefeito de uma cidade do Amazonas dizendo para uma cidadã, em resposta a seus apelos por moradia, que morresse. Como se já não bastasse o tom agressivo da resposta ainda ironizou-a, dando a entender que o fato da mesma ser paraense, explicava o fato dela está naquela situação.

Levando em considerarão que nossos representantes só aparecem na mídia ou por escândalos ou para soltar declarações infames como essa, ou ainda na melhor (ou pior) das hipóteses em períodos eleitorais envoltos em roupas limpas e em palavras bem articuladas, certos de nossa total ignorância, devemos nos perguntar: será que o voto obrigatório ainda é um exercício de cidadania?

Devemos procurar lembrar as verdadeiras acepções das palavras cidadão e democracia. Pois cidadão é o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado (Brasil), e democracia é o governo do povo, soberania popular; doutrina ou regime político baseado nos princípios na soberania popular e da distribuição equitativa do poder.

Podemos perceber a imensa distância que separa a teoria da realidade. Hoje vemos os três poderes divididos em várias bancadas, entre elas está a dos empresários, a rural, a dos evangélicos, a dos católicos, a dos trabalhadores, a do esporte, a dos separatistas etc. Todas trafegam entre situação e oposição de acordo com seus interesses, tudo como manda o figurino. Mas a rigor não há um único partido que se preocupe com o cidadão brasileiro e que o insira numa democracia.

Chega a ser cômico a voracidade com que degladeiam-se, com a desculpa de quererem um salário digno para os trabalhadores, quando sabemos que na verdade só querem ver o circo pegar fogo, pois quando se trata de dobrar o próprio salário, isso é feito em total conluio e na mais absoluta surdina, esgueirando-se por toda e qualquer burocracia. O referido prefeito da cidade situada no Estado anteriormente mencionado usou-se do revanchismo (idiota) existente entre os dois Estados para encobrir seu total desinteresse nos cidadãos daquela cidade, ou de qualquer outra, postura muito comum (infelizmente) entre a maioria das pessoas que ocupam um cargo no executivo.

A falta de opções sérias e confiáveis nos leva a votar nulo, em branco, ou o que é mais grave, votar em figuras caricaturas para fugir das penas impostas aos cidadãos que furtarem-se de exercer o “direito” ao voto.

Em países como o USA o voto não é obrigatório. Isso faz com que o candidato, seja ele qual for, se veja obrigado a conquistar cada voto por meio de compromisso e seriedade, só assim um eleitor se dispõe a sair do conforto de sua casa para votar.

Votar deveria ser: ter direito a voto, e não ser obrigado a isso. E o voto deveria ser o modo de expressar a vontade num ato eleitoral. Mesmo se essa vontade for se abster.

O voto obrigatório evidentemente não se traduz no gozo dos direitos civis e políticos, mas sim numa obrigação degradante e desnecessária, pois o resultado nunca se reflete de forma positiva na vida do cidadão, tendo em vista que os problemas que nos afligem perduram por mais de quinhentos anos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O TRABALHO ESCRAVO E SUAS VÁRIAS FACETAS





Segundo a definição usualmente encontrada, o trabalho escravo se configura pelo trabalho degradante aliado ao cerceamento da liberdade. Naturalmente não vivemos o período que precedeu a lei Áurea de 13 de Maio de 1888, onde uma pessoa poderia ter o direito de propriedade sobre outra. Entretanto, se observarmos com um pouco mais de carinho, sem o medo de perdermos todo o conforto que a vida moderna nos proporciona, poderemos ver que ainda vivemos em uma sociedade onde o trabalho escravo é a maior mão de obra.

Vivemos em um período em que as palavras chaves são: globalização; inovação; preocupação com o meio ambiente e a tal da busca da qualidade de vida. O que poucas pessoas percebem é que tais palavras são conceitos antagônicos que se repelem. Mas que são usadas em uma equação cujo resultado é o mascaramento de uma realidade muito simples e cruel, o trabalho degradante aliado a liberdade cerceada.

Comprovamos isso quando acompanhamos histórias de pessoas que vêm do interior para a capital, ou quando outra vai de Belém para o Centro-Sul do país, ou ainda quando alguém sai do Brasil para arriscar a sorte em outro país.

No período da primeira Revolução Industrial vimos o surgimento do panoptismo abordado por Foucaut, onde já não era a força ou as correntes o meio pelo qual poucos indivíduos dominavam muitos.

Ainda hoje, em pleno século XXI, vemos nas varias atividades da agropecuária, no mercado da prostituição entre outras tantas atividades ilegais, situações que refletem a mesma realidade, ou seja, pessoas presas sob ameaças físicas, terror psicológico ou longas distâncias de sua cidade natal ou qualquer outra cidade.

A tentativa da junção das tais palavras da moda cria uma deformação de valores perfeitamente aceitável no mundo capitalista, onde a exploração de massas de miseráveis é chamada de inclusão social, por está levando emprego aonde não havia, oferecendo assim um futuro melhor a essas pessoas que outrora estavam fora do mercado consumidor.

Dentro dessa deformidade ocasionada por essa equação, percebemos que países que possui moeda forte, mercado forte e tecnologia de ponta vêm em países como a China, Índia e até mesmo o Brasil pontos de apoio à escravidão “politicamente correta”, onde conseguem matéria prima e mão de obra a preço irrisório.

Portanto, se trocarmos alguns elementos dentro da equação, teremos uma equação equivalente, onde o resultado terá várias raízes.Ex: 1 sobre 2; 1 sobre 6; 1 sobre 15. Dependendo da relação, moeda local e dólar ou euro. A degradação está no fato de que o indivíduo recebe metade, um terço, um quinze avos, (...), do que merece. O cerceamento da liberdade está no fato de que esse indivíduo não tem como escapar dessa situação, pois sua vida está atrelada a seus patrões por meio de contratos de trabalho, individual ou coletivo de conteúdo duvidoso.

Dessa forma concluímos que o trabalho escravo realmente tem várias facetas, e algumas dessas nos chocam enquanto que outras nos parecem ser tão normais quanto comprar um celular que sabemos que vale R$ 500, por R$ 99,90.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011


O jornal Diário do Pará traz em sua edição do dia 06/11/2010, a manchete: Chegou a hora de encarar o ENEM. E como tema da reportagem: " ENEM testa 164 mil no Pará hoje e amanhã". Por certo cada um que conseguiu se inscrever (pagar) para submeter-se ao exame, deve ter se preparado intelectual, psicológica e fisicamente, devido à relevada importância que o exame vem assumindo gradativamente desde quando fora criado em 1998. E nos fora apresentado como sendo um ingênuo teste de carater auto-avaliativo e opcional, aos alunos concluintes do ensino médio.
Evidentemente não será o primeiro tampouco o ultimo teste que esses candidatos ao ensino superior enfrentarão. Todavia, será que em algum momento em suas vidas pararam para se perguntar o porquê dessa corrida frenética? Se isso atende a algum propósito e interesse? É provável que nunca tenham tido tempo para isso.
No texto A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS (cap.5), Michek Foucaut ( filósofo francês, 1926-1984), identifica como sendo a primeira função das instituições de de sequestro, estatais ou não ( escolas, hospitais, prisões ...), A EXTRAÇÃO DA TOTALIDADE TO TEMPO, isso é, o indivíduo doa todo seu tempo de existência ao trabalho. E como segundo, FAZER COM QUE O CORPO DOS HOMENS SE TORNE FORÇA DE TRABALHO. O trabalho passa a ser o meio pelo qual o indivíduo alcança uma recompensa dentro de um mecanismo que Foucaut classifica como sendo do consumo e da publicidade ( nos países desenvolvidos).
Quando uma criança aprende a falar, ler e escrever, ela já começa a formar seu currículo, isso é, ela já está sendo capturado pelo que Foucault chama de tecnologia política dos corpos. O indivíduo torna-se um objeto sob total controle e observação contínua. A disciplina imposta a ele, torna-o apto e domesticado, forte e manso, um perfeito cidadão que acredita piamente em máximas como: cabeça vazia... Oficina do diabo; o trabalho dignifica o homem; garanta seu futuro estudando no...; teste seu conhecimento, inscreva-se na... E tantas outras que ao que parece tentam criar estereótipos quase literários, digo, personagens planos de suas próprias vidas.
Depois de ter o tempo e força transformados em trabalho (primeira e segunda funções), as instituições de sequestros ainda submetem o indivíduo a uma terceira , ou seja, AO PODER ECONÔMICO E POLÍTICO E UM MICRO-PODER JUDICIÁRIO. É nesse contexto que devemos fixar nossa atenção. Segundo o filósofo francês, " o sistema escolar é também inteiramente baseado em uma espécie de poder judiciário. A todo momento se pune e se recompensa, se avalia, se classifica, se diz quem é o melhor, quem é o pior". Ora! O ENEM além de representar, ainda serve de ferramenta de adequação a todos os propósitos e interesses surgidos nos primórdios do capitalismo, e que nos são repassados até hoje com um belo rótulo de modernidade. Tais interesses e propósitos moldados por conflitos de poderes, parecem ter adquirido vida própria. Ironicamente dentro desse prisma a criatura passara a dominar o criador, isto é, a humanidade. Ela desenvolve-se, multiplica-se, aperfeiçoa-se em todas as esferas existenciais do ser humano, como uma tecnologia do saber, do poder, do pensamento etc. Algo brilhantemente representado no filme MATRIX( co-produção australiana e norte-americana de 1999. Dirigida por Andy Wachowski e Larry Wachowski ).
Submeter-se, e passar em exames como o do pezinho, tem a mesma importância psicológica no âmbito familiar que tem ser aprovado no vestibular ou alcançar uma boa pontuação no ENEM, pois indica normalidade. E normalidade é especialmente circundada pela disciplina. Observe a relação de coisas que podem e que não podem ser portadas no momento da aplicação do ENEM. Esse meio de avaliação que pune e recompensa também segue o modelo panóptico que geralmente é adotado pelas instituições de sequestro, que segundo Michek Foucaut consiste em querer fazer com que o maior número de pessoas seja oferecida como espetáculo a um só indivíduo encarregado de vigiá-los. Todavia não quero reter-me em questões estruturais adotados por aquelas instituições, e sim nos meios de controle aplicados por elas.
O indivíduo vê seu tempo tomado, sua força tomada, vê sua vida controlada pelos poderes do Estado e pelos micro- poderes. Então por que o controle ainda é possível? Por que o indivíduo submete-se a tal situação?
Ora! mesmo se o indivíduo fosse tomado pela luz de consciência sobre sua situação ele somente descobriria que desde que nascera fora doutrinado a pensar que o seu trabalho (que é o resultado da supressão de sua vida) é o fiel da balança na sua relação com o poder econômico e o poder político que estão intrissicamente ligados à sua realidade social. Então para esse indivíduo envolvido até a alma, capturado pelos olhos, ouvidos, boca, narinas, pele, pensamentos e sonhos, desligar-se dessa realidade seria (suponho) algo como recuperar alguém que fora viciado em uma droga fortíssima por toda sua vida. Evidentemente não trata-se de um feito impossível, todavia seria necessário fazer com que esse indivíduo fizesse a pergunta: " por que essa corrida frenética? Se isso atende a algum propósito ou interesse, aquém ou a que serve tal propósito e interesse?", e ainda, fazer com que ale não chegasse a conclusão de que pensar sobre isso não passa de perda de tempo, e tempo é "dinheiro!".
Contudo, o período que sucede a preparação e precede o descarte é demasiadamente efêmero, isto é, não há de fato uma moeda de troca, o que há é uma via de mão única, e para tentar equilibrar essa situação, tendo em vista que estamos todos diretamente conectados a essa realidade; seria necessário mudar as diretrizes educacionais já nas bases do ensino primário, implantando pensamentos questionadores e reflexivos, para que possivelmente em uma ou duas gerações, se ainda existisse o ENEM, o candidato ao menos saberia o porquê está sendo obrigado a submeter-se a tal exame, e talvez pensasse, completamente ausente de culpa, que poderia não fazê-lo se assim desejasse.

domingo, 24 de outubro de 2010

CONTINUAÇÃO SOLIDÃO



Minha amiga é ela.

Quieta e calada,

Segue-me acompanhando

Quando estou acompanhado

Da ausência da figura mais bela!

Estou só!

Abandonado por todas WWW.com.vocês.

Sem cálidos beijos de mentiras,

Sem e-mail de tê-la outra vez.

Com ranhuras na razão abalada,

Parado como antes.

Sendo lápis e papel as amantes

Sem perfumes, sem toque, sem nada!

Sem beijo, como alguém amado,

Por doces lábios de alguém apaixonada.

Terei eu tão enfadada sorte?!...

De triste fim. Partir dessa vida,

Sem ter alguém como minha querida.

Que por mim lamente,

Quando eu finalmente beijar a morte?

MARGARIDA





Adoro teu sorriso.

Mesmo que falso ele seja;

Pois sai de tua boca,

Que em sonhos, a minha almeja.

Que de mel doces lábios margarida,

Desejando que lambuzada neles,

A minha esteja!

Adoro teus olhos.

Mesmo que neles os meus nada sejam;

Avista que a alma minha encara a tua,

Chorando o desprezo de tua casca crua

Engolindo os prantos

Para que os olhos teus não os vejam!

Adoro você!

Que habita esse belo corpo moreno.

Que fala como orgasmo,

Quando quer me enganar.

Deixando-me imóvel como presa no cerco.

Deixando-me indefeso como pena no ar.

Deixando-me oco, como tuas veias sem vida;

Ainda sim, quase consigo escapar.

funeral blues


FUNERAL BLUES (W.H.AUDEN)

Congelem o tempo e cada longínquo som de dor.

Satisfaçam o cão, silenciando seu ladrar.

Larguem os pianos, e com emudecido tambor.

Faça-se o funeral, deixe o cortejo chorar.

Deixem os aviões fremindo num só lamento.

Rabiscando o dizer “ELE MORREU!”; no firmamento.

Vistam luto os alados símbolos da paz.

Vistam luto as mãos da lei, por um ser fugaz.

Ele fora o paradoxo em minha luta, meus pontos cardeais.

Em parte me era labuta; e meu descanso em tudo mais.

Minha inspiração e sonho, meu declamar cantado.

Idealizei um amor eterno e idôneo, agora sei, estava errado.

Abandonem as estrelas, pois perderam o lume.

Recolham a lua, o sol... Anulem.

Sequem o oceano e extingam a floresta.

Pois não há alívio humano, no futuro que me resta.

(tradução-versão: ANTONIO DIAS)